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MEIO
AMBIENTE - Ecologia do Trabalho
A primeira vítima do desrespeito das empresas é
o seu trabalhador
A Ecologia entrou definitivamente no rol das preocupações
diárias da sociedade. Tal momento é mais
do que propício para se colocar em discussão
desdobramentos importantes que tem sido, ou apenas lembrados
de forma superficial ou mesmo marginalizados propositadamente,
pois fogem à questão da devastação
de florestas, uso do solo, plantio e replantio de árvores
e dizem respeito ao homem e seu ambiente cotidiano e mais
especificamente ao ambiente de trabalho.
O ponto de partida, portanto, é a perspectiva de
que hoje não há como separar o ambiente
natural dos ambientes onde as pessoas vivem e trabalham
e que a melhoria da qualidade de vida só é
possível com a melhoria dos ambientes de trabalho,
tornando-os mais limpos e saudáveis. Ao mesmo tempo
torna-se necessário encarar o trabalho de uma outra
forma, como algo que seja tanto libertador para o trabalhador
bem como útil para toda a sociedade.
Avanço na questão ambiental - A visão
ecológica que tenta dividir os ambientes e que
traz como carro chefe a idéia da conscientização
sobre a necessidade de preservação dos ambientes
naturais, as florestas, as espécies animais, as
lagoas, os rios, tem trazido até a mídia
um sentimento deturpado ou pelo menos equivocado nos aspectos
que podem ser considerados os elementos essenciais na
melhoria da qualidade de vida da população
e em especial dos trabalhadores.
Ao se romper com esta divisão do conceito de ambientes
é possível avançar para análises
e questionamentos mais profundos, que certamente vislumbrarão
uma nova perspectiva para a ecologia e seus pontos básicos.
Partindo do pressuposto que todos os membros da sociedade
estão, estarão ou estiveram por algum tempo
em idade produtiva, ou seja, ou se está trabalhando,
ou como as crianças, os adolescentes, os estudantes
que ainda se preparam para o mundo do trabalho, ou os
aposentados e os incapacitados que já exerceram
atividades produtivas. Todos em algum momento de suas
vidas se vêem envolvidos com o trabalho. O tempo
de vida dedicado a este trabalho tem duração
em torno de 35 anos.
Considerando que a expectativa de vida média do
brasileiro se situa na faixa dos 60 anos, pode-se observar
que mais da metade de suas vidas se passa no ambiente
de trabalho. Isto se acentua ao se considerar que durante
estes anos fica-se envolvido com o trabalho um mínimo
de um terço da carga
horária diária, ou seja, oito horas de jornada
laboral. E esta jornada está diretamente ligada
à perspectiva de vida do homem brasileiro:
"Observa-se que na faixa de idade produtiva (15 aos
54 anos), quando mais se trabalha, a taxa de mortalidade
brasileira é o dobro da Inglaterra, França
e Espanha (...). Entre 15 e 54 anos morre-se por doenças
respiratórias no Brasil, com freqüência
sete vezes maior que na Inglaterra, três vezes mais
que na França, duas vezes mais que nos Estados
Unidos e Espanha e mais que na Argentina. De modo similar,
nesta idade em que se trabalha, morre-se em nosso país,
três, quatro ou cinco vezes mais por doenças
cárdio-circulatórias que nesses países.
Certamente, a miséria em que vive mesmo a população
economicamente ativa brasileira, resultado direto da política
de salários e empregos, tem um peso substancial
na freqüência de mortes na idade do trabalho;
mas há outras condições geradoras
dessas doenças e mortes prematuras, às quais
estão submetidos diretamente os trabalhadores enquanto
trabalham.
Todas essas condições são, de um
ou outro modo, determinadas pelo regime de propriedades
dos meios de produção, mas as últimas
estão relacionadas estreitamente com os processos
de produção e com a organização
e relações de trabalho.
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